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Reatores modulares russos: solução para o programa nuclear brasileiro

A Rússia ofereceu ao Brasil reatores modulares e flutuantes, uma alternativa viável para suprir áreas isoladas e retomar o programa nuclear.

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Redação Análise Geopolítica
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Reator RITM-200 da Rosatom

Reator RITM-200 da Rosatom

A empresa estatal russa Rosatom está investindo pesadamente no desenvolvimento e produção de pequenos reatores nucleares modulares, voltados para a geração de energia elétrica sem a necessidade de construir grandes e caras infraestruturas. A iniciativa russa é voltada principalmente para a necessidade de geração de energia elétrica de forma contínua, barata e limpa em regiões isoladas, como no interior da Sibéria, por exemplo, situação que se repete em muitos países do mundo, principalmente no Brasil, que possui diversos rincões afastados de grandes infraestruturas, e inclusive desconectados da rede nacional de distribuição elétrica.

Esse tipo de mini reator nuclear pode ser inclusive instalado em embarcações, que se tornam autênticas usinas elétricas flutuantes, capazes de gerar grande quantidade de eletricidade de maneira autônoma, operando por anos sem a necessidade de reposição de seu combustível nuclear.

A Rosatom já comprovou a viabilidade de usinas nucleares flutuantes com o Akademik Lomonosov, que atua gerando energia elétrica para a cidade costeira de Pevek, extremo nordeste do Ártico russo. Essa embarcação é equipada com a primeira geração de reator nuclear modular da Rosatom, KLT-40S, e começou a operar em maio de 2020 e desde então gera 70 MW de energia elétrica e água aquecida, integrada à rede de distribuição local de Pevek.

Usina nuclear flutuante Nikolai Patrushev

Usina nuclear flutuante Nikolai Patrushev

Agora, em 2026, a Rosatom já possui a segunda geração de reator nuclear modular, já produzindo o RITM-200, que equipará uma frota de embarcações de usinas nucleares flutuantes, já em construção. Graças ao design integral do RITM-200, as novas barcaças têm uma redução de quase 45% nas dimensões físicas e são 35% mais leves se comparadas ao modelo anterior, podendo operar por até 10 anos sem a necessidade de reabastecer o combustível nuclear, projetadas para ter uma vida útil total de 60 anos de operação contínua.

Visando o mercado internacional, a Rosatom também desenvolveu o RITM-200N, a versão terrestre deste reator modular, e o RITM-200M, a versão flutuante voltada a operar em países tropicais com mares e rios quentes.

Vendo o potencial imenso que esse tipo de reator tem no Brasil, durante a visita de Estado de Nikolai Patrushev (assessor de Putin) à Brasília, uma proposta formal de parceria estratégica para compartilhamento de tecnologia nuclear russa foi feita ao Brasil, voltada principalmente para a oferta de reatores RITM-200N e RITM-200M ao Brasil, visando atender uma necessidade histórica de produção de energia elétrica em regiões isoladas do território brasileiro, como em pequenas cidades ribeirinhas da Amazônia que podem ser abastecidas por usinas flutuantes, além da construção de pequenas usinas nucleares terrestres, que são baratas o suficiente para a realidade brasileira, pois não dependem de imensas infraestruturas como uma usina nuclear tradicional.

Com a proposta russa, o Brasil pode ter condições reais de retomar seu programa nuclear, investindo na aquisição de usinas nucleares flutuantes e construção de pequenas usinas nucleares terrestres, ideais para fornecer energia elétrica barata, confiável e limpa para as regiões mais isoladas do território nacional, sem a necessidade de grandes obras para se integrar à rede de transmissão elétrica nacional, além de diminuir a atual dependência de usinas termelétricas altamente poluentes baseadas em combustíveis fósseis.