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Colômbia: ponta de lança militar dos EUA na América do Sul

Após a breve política soberanista de Petro, a Colômbia de Abelardo de La Espriella reassume total cooperação militar com os EUA.

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Redação Análise Geopolítica
5 min de leitura
Mapa dos países sul-americanos alinhados aos interesses dos EUA na América do Sul pintados de azul, em vermelho o Brasil e países não alinhados aos EUA

Mapa dos países sul-americanos alinhados aos interesses dos EUA na América do Sul pintados de azul, em vermelho o Brasil e países não alinhados aos EUA

Foto / Fonte: Análise Geopolítica / MapChart

Após um breve período de política soberanista durante o governo de Gustavo Petro (2022-2026), agora, em agosto de 2026, a Colômbia voltou a se alinhar automaticamente aos interesses dos EUA, com a posse do presidente neoliberal Abelardo de La Espriella.

Contexto histórico da cooperação militar EUA-Colômbia

A Colômbia é historicamente o país com maior cooperação militar com os EUA na América do Sul, abrigando em seu território a presença de tropas, agentes de inteligência e até infraestruturas militares desde o estabelecimento do Acordo de Assistência Militar em abril de 1952, assinado sob a narrativa de "combate ao comunismo" nas Américas no contexto da Guerra Fria.

Entre as décadas de 1970 e 1980, diversas missões militares dos EUA foram realizadas na Colômbia sob o pretexto da "Guerra às Drogas" lançada pelo governo de Richard Nixon e expandida por Ronald Reagan. Neste período, a maior parte das ações militares dos EUA foi a instalação de radares militares, treinamentos de forças de elite da polícia e apoio logístico para erradicação de cultivos ilícitos, além de operações da CIA e DEA contra cartéis.

Soldados de forças especiais dos EUA em operação na Colômbia, maio de 2001

Soldados de forças especiais dos EUA em operação na Colômbia, maio de 2001

Foto / Fonte: Scott Dalton / AFP


A partir de 2001, a Colômbia recebeu recursos bilionários do governo Bill Clinton para financiar sua guerra contra os grupos guerrilheiros, principalmente a FARC e ELN, que passaram a ser consideradas organizações terroristas pelos EUA, durante o período da "Guerra ao Terror" lançada após o atentado das Torres Gêmeas em setembro de 2001. Neste período, centenas de conselheiros militares, soldados de forças especiais e companhias militares privadas (PMC) dos EUA passaram a atuar em território colombiano, realizando inclusive missões de suporte aéreo.

Bases militares dos EUA na Colômbia

Em 2009, a presença militar dos EUA na Colômbia foi elevada a um novo patamar, com a instalação de sete bases militares dos EUA no país, autorizadas pelo Acordo de Cooperação em Defesa assinado pelos presidentes Álvaro Uribe e Barack Obama. A assinatura desse acordo gerou fortes protestos de governos de países vizinhos da América do Sul, inclusive do Brasil, que viram a medida como uma ameaça à soberania nacional de todo o continente. A pressão resultou em que, em 2010, a Corte Constitucional da Colômbia declarou o acordo inaplicável por não ser aprovado pelo Congresso Colombiano, limitando a presença formal de tropas dos EUA apenas para operações conjuntas com as Forças Armadas Colombianas, sem a fixação de bases permanentes.

Bases Militares dos EUA na Colômbia

Bases Militares dos EUA na Colômbia

Foto / Fonte: -

O governo Petro

Desde a assinatura do primeiro acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos em 1952, o único governo que limitou o avanço da presença militar dos EUA em território colombiano foi o de Gustavo Petro, que rompeu com a doutrina anterior de permitir operações militares dos EUA em território colombiano entre os anos de 2022 e 2026, o que inclusive gerou avanços históricos como o desarmamento de boa parte da FARC, além de gerar um período de diminuição da apreensão de vizinhos sul-americanos com a presença militar dos EUA na Colômbia.

Retorno da cooperação militar EUA-Colômbia em 2026

Com a posse do presidente neoliberal Abelardo de la Espriella ("El Tigre") em 7 de agosto de 2026, a política militar colombiana retomou sua doutrina de alinhamento total aos interesses dos EUA, resultando na rápida assinatura da adesão colombiana à organização "Escudo das Américas" em 12 de agosto de 2026, com o presidente colombiano afirmando no mesmo dia que dará permissão total para operações militares dos EUA em território colombiano, justificando que o país precisa de apoio para combater o "narcoterrorismo".

Neste contexto, é possível afirmar que a Colômbia retomou sua posição histórica de atuar como ponta de lança militar dos EUA na América do Sul, com o novo governo colombiano oferecendo o território do país para os EUA lançarem operações militares livremente por toda a América do Sul. Além da Colômbia, uma série de governos neoliberais e neoconservadores tomaram posse no continente sul-americano, todos eles passaram a fazer parte do "Escudo das Américas", atuando como verdadeiros capachos dos interesses de projeção de poder dos EUA na América do Sul, com destaque para Argentina e Paraguai, além da própria Colômbia.

Brasil cercado pelo Escudo das Américas

Em agosto de 2026, apenas Brasil, Uruguai, Suriname e Guiana possuem governos progressistas. O Brasil sofre constantes ameaças dos EUA, com a administração Trump impondo tarifas, realizando ameaças e até mesmo falando sobre operações militares contra o Brasil. Dessa forma, fica nítido que o "Escudo das Américas" é uma organização hostil à soberania brasileira, com o objetivo de cercar o Brasil com a presença militar dos EUA nas fronteiras brasileiras.

O governo Donald Trump tem reafirmado a retomada da "Doutrina Monroe", que prevê a completa subordinação de todo o continente americano aos interesses dos EUA. Para impor tal doutrina, é necessário projetar poder contra qualquer um que se oponha. Com o Brasil sendo a maior potência das Américas além dos EUA, é natural que o principal objetivo da Doutrina Monroe seja usar os demais países sul-americanos para cercar o território brasileiro e usar a presença militar dos EUA para subjugar o Brasil, com esse plano já em andamento através do "Escudo das Américas", impulsionado agora pela adesão colombiana.

Presidente argentino Javier Milei e Trump no lançamento do Escudo das Américas

Presidente argentino Javier Milei e Trump no lançamento do Escudo das Américas

Foto / Fonte: Saul Loeb/AFP