Notícias
AnáliseOriente Médio

A decadência da influência dos EUA no Golfo Pérsico

Países do Conselho de Cooperação do Golfo estão propensos a negociar diretamente com o Irã, devido ao impasse para reabertura do Estreito de Ormuz

R
Redação Análise Geopolítica
2 min de leitura
Conselho de Cooperação do Golfo (CCG)

Conselho de Cooperação do Golfo (CCG)

Foto / Fonte: Conselho de Cooperação do Golfo (CCG)

Os produtores de petróleo e gás dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) deixaram de confiar na administração Trump para resolver o bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz, de acordo com o Wall Street Journal.

Autoridades e empresas dos países do Golfo estão considerando negociar diretamente com o Irã para garantir a passagem de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz, que segue bloqueado pelo Irã em agosto de 2026, mais de 5 meses após o início do conflito no Oriente Médio, desencadeado pelos ataques da Operação Epic Fury ordenada por Trump em 28 de fevereiro de 2026.

Após inúmeras promessas de Trump de que o Estreito de Ormuz seria reaberto, o fracasso da Marinha dos EUA em garantir a navegação segura para navios mercantes no estreito gerou uma situação de descrédito perante os países e empresas petroleiras do Golfo, que já percebem a incapacidade dos EUA em garantir a navegação em Ormuz e agora partem para negociar diretamente com o Irã, que exerce completo controle sobre o estreito, determinando quais rotas devem ser usadas e quais embarcações possuem autorização para entrar e sair do Golfo Pérsico.

Desde o início do conflito, o Irã utiliza drones e mísseis antinavio para atingir embarcações que tentam furar seu bloqueio no Estreito de Ormuz. Diante dessa situação, a Marinha dos EUA tentou estabelecer rotas alternativas para o trânsito de navios pelo estreito, próximas da costa de Omã, porém, o Irã conseguiu atingir diversas embarcações que tentaram usar essas rotas alternativas, comprovando que a escolta oferecida pela Marinha dos EUA era inútil para impedir os ataques iranianos.

Com perdas bilionárias devido à suspensão de exportação de petroquímicos, a situação culminou na total perda de confiança por parte dos países do Golfo na capacidade dos EUA de garantirem o trânsito por Ormuz, com essas nações passando a aceitar a soberania do Irã sobre a região, mesmo contra sua vontade. Com o bloqueio prolongado no Estreito de Ormuz, além de causar uma crise mundial no mercado de petróleo, o Irã também está acabando com a influência dos EUA sobre o Golfo Pérsico, colocando em cheque a capacidade de projeção de poder militar dos EUA em toda a região do Oriente Médio e diminuindo a influência de Washington sobre os países do Golfo.